Professor de História, Corinthiano, torcedor do CAVS, Cinéfilo, crítico político. Apaixonado em futebol e NBA.
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
#alemanha #Hitler
Os sacerdotes, tanto católicos como protestantes, tinham dado provas de grande coragem e tenacidade na sua luta pela liberdade de consciência. Cooperavam entre si na resistência à opressão nazista, e desse modo ajudando a derrubar muitas das barreiras que antes separavam as diversas correntes religiosas. Os padres iam pregar nas igrejas luteranas, e os pastores protestantes que foram expulsos das suas comunidades tinham encontrado apoio e acolhida nos fundos da Igreja Católica.
Era sem dúvida alguma a firme organização da Igreja Católica que, até aquele momento, tinha salvo o que restara da cultura alemã e da liberdade espiritual dos alemães. E era também o catolicismo que vinha respingando a maior vantagem do renascimento religioso em toda a Alemanha. Deve-se isso principalmente à corajosa atitude de muitos dos chefes da Igreja. Assim, por exemplo, por toda a Alemanha tinha circulado de mão em mão cópias dos sermões anti-nazistas do conde von Galen, bispo de Munster, e a catedral desta diocese ficava a transbordar de assistentes sempre que o bispo pregava. A Gestapo não ousou intrometer-se.
Durante o período em que a prisão de von Galen pareceu iminente, os camponeses vinham todas as manhãs à cidade, nas suas carroças, e batiam à porta da residência episcopal, pedindo que o bispo se mostrasse ao povo, para desse modo se certificarem de que ele não tinha ido para um campo de concentração.
Inúmeras são as lendas que correm a respeito deste homem. A mais conhecida é talvez a seguinte: um chefe nazista entrou certo domingo na igreja, e pôs-se a bradar que aqueles que não estavam contribuindo para a luta de vida ou de morte da Alemanha, com a sua própria carne e o seu sangue, ou a carne e o sangue de seus filhos, não tinham o direito de falar. Ao que o bispo retorquiu sem hesitação: "Proíbo seja a quem for de nesta igreja criticar o Fuehrer!" Histórias como esta e outras se contam não só de von Galen, mas de muitos outros sacerdotes.
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